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Adriana Baldissarelli @ABaldissarelli Florianópolis |
O que já não vai bem, pode ficar pior. A indústria catarinense sofreu uma queda de 5,1% na produção do primeiro quadrimestre deste ano e enfrenta novas ameaças de aumento de custo pelo impacto da alta do dólar na tarifa do gás natural importado da Bolívia. "O impacto seria desastroso nesse cenário macroeconômico, com projeção de crescimento do PIB em 2% no ano. Já começam a ocorrer retrações de venda, então, um aumento nos custos de fabricação vai forçar mais ainda a redução do nível de atividade industrial", avisou ontem o presidente da Câmara de Energia da Fiesc, Otmar Müller. Em reação ao novo pedido de reajuste tarifário de 22,38% em julho, feito pela SCGás à Agência Reguladora de Serviços Públicos em Santa Catarina. Se aprovado, com o aumento de 5% já autorizado em outubro, a indústria terá de arcar com uma alta acima de 40% em um ano.
Custo Petrobras
Nas contas da SCGás, o custo de aquisição e transporte do gás natural pago a Petrobras cresceu 49,5% em 2011 e vai aumentar mais 22,35% este ano. Previsão de déficit de operação de R$ 41 milhões em 2012 e redução de 90% nos investimentos em infraestrutura nos próximos cinco anos. A companhia também indica que a tarifa de SC, além de ser a mais baixa do Brasil, está atrás de 23 países e empatada com a da China, maior concorrente em revestimentos cerâmicos.
Contrato antigo
Para a Fiesc, é preciso rever o contrato de concessão da SCGás com a Petrobras. “Esse contrato, concebido nos anos 90, foi muito benéfico na época para atrair investidores internacionais, mas não condiz mais com a realidade econômica e o Custo Brasil”, avalia Otmar Müller. Na indústria cerâmica, que absorve metade do fornecimento de gás natural no Estado, o insumo representa 25% dos custos de produção, na de louça, 20% e na de vidro chega a 35%. “O impacto para o consumidor nessas indústrias é muito expressivo.”
Aliás
O principal problema no abastecimento de gás natural hoje em Santa Catarina é o monopólio da operação pela Petrobras. “Os tentáculos da Petrobras na indústria do gás natural realmente são um inconveniente muito grande, porque atuam em todos os pontos da cadeia”, aponta Otmar Müller. De fato, a companhia é produtora, importadora, transportadora, distribuidora e, inclusive, consumidora na indústria de fertilizantes ou na geração de energia em termelétricas.
Dois lados da moeda
A alta do dólar que, de um lado protege o mercado interno da concorrência predatória dos produtos chineses e aumenta a competitividade dos exportados brasileiros, de outro prejudica as empresas que dependem de componentes industriais importados e de energia como a do gás natural. Como nem a SCGás nem a Fiesc têm governança sobre as questões cambiais, ponderou o diretor Administrativo da companhia, Carlos Romeu Paes Leme, é preciso alcançar um ponto de equilíbrio para manter os negócios em momentos mais agudos como o atual.
Sem condições

Otmar Müller (à direita na foto) argumentou com o presidente da SCGás, Cosme Polêse, que a indústria tem apoiado a expansão do consumo de gás natural em Santa Catarina, mas não tem condições de absorver e repassar ao produto final novo aumento. Por isso vai pedir, inclusive ao governador Raimundo Colombo, medidas emergenciais que permitam manter o patamar atual de preços. Fiesc e governo, contudo, estão do mesmo lado quando se trata de vencer a exclusividade do suprimento pelo gasoduto Brasil-Bolívia.
“A inflação aleija, mas o câmbio mata” _ velha frase de Mario Henrique Simonsen
#usos_e_abusos
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Cotação
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