ONGs incentivam a adoção de animais abandonados nas ruas da Grande Florianópolis

Protetores chegam a acolher 60 animais em estado crítico que são maltratados e abandonados nas ruas da Capital

Emanuelle Gomes
Emanuelle Gomes
Jornalista (formada pela UEPG), repórter de Cidade do ND, apaixonada pela profissão


Florianópolis

Daniel Queiroz/ND
Cães acolhidos por Maria de Fátima retribuem o carinho dado pela protetora

 

Maria de Fátima Martins, tenente-coronel da PM (Polícia Militar), sabe o nome de todos os 18 cães que cuida dentro de seu sítio. Para ela, não é possível esquecer as histórias desses animais que, abandonados ou maltratados, foram para os seus cuidados e permanecem esperando adoção. “Eu morava em apartamento, tinha apenas dois cachorros. Comecei a cuidar de cachorros de rua que ficavam perto da minha casa. Um dia, decidi que tinha que mudar minha vida: vendi tudo e comprei o sítio. Depois disso, comecei a acolher mais cães”, conta ela.

A protetora organizou uma estrutura própria para abrigar os animais, que são divididos no terreno por afinidade. Todos têm um local de descanso e recebem ração de qualidade. “Não sei quanto investi aqui, foi muito, mas não me arrependo. Faria tudo de novo. Sou feliz, realizada. É uma alegria muito grande o retorno que tenho deles, isso não tem dinheiro que pague”, garante. Maria arca com todas as despesas e é uma dos 32 protetores da ONG Pata (Protetores e Amigos Trabalhando pelos Animais).

O objetivo do grupo de voluntários é recolher os animais de rua para um lar temporário. É feita, então, esterilização, vermifugação e vacinas para que possam ser adotados por uma família. Segundo Ari Carvalho, presidente do Pata, alguns protetores chegam a ter mais de 60 animais em casa. “Eu tento dar o máximo de carinho para todos, porém sabemos que o ideal seria eles terem uma casa e atenção exclusiva”, afirma a coronel. Para incentivar a adoção desses cães e gatos recuperados, a ONG promove mensalmente feiras de animais.

Porém, segundo Maria, é muito difícil conseguir pessoas dispostas a cuidar desses animais. “Normalmente são animais velhos, com algum tipo de deficiência ou doença. Às vezes, até os mais novos temos dificuldades para encontrar um lar. E ainda acontece de a pessoa adotar e depois devolver por motivos fúteis”, relata ela. Mas, apesar da espera muitas vezes ser longa, muitos cães acabam tendo um final feliz, mesmo que não tendo uma casa só para eles. “Alguns são achados em estado deplorável. Vê-los mais gordinhos e felizes nos deixa muito feliz”, comenta.

Projetos incentivam a adoção

O trabalho das ONGs (Organizações Não Governamentais) é crucial para a conscientização da adoção ao invés da compra de animais. A ONG Oba Floripa, por exemplo, realiza um projeto chamado Cão Terapia, em que as pessoas visitam os animais abrigados no Centro de Controle de Zoonoses de Florianópolis. Foi dessa forma, que Ana Luísa Ferrúa Füllgraf, 16, conheceu Wendy, uma cachorrinha vira-lata, que com apenas 50 dias foi acolhida e virou o novo membro da família da adolescente. “Nós tínhamos interesse em comprar, mas a Ana Luísa me levou até o Centro de Zoonoses e acabamos adotando. Assinamos o termo e trouxeram a cachorrinha aqui em casa”, conta Alexandre Füllgraf, pai da garota.

Segundo ele, Wendy não difere em nada dos outros cachorros e está na fase de roer tudo o que vê pela frente. A família trabalha para adestrar o filhote, que hoje tem cinco meses. “Ela é muito mais esperta, aprende mais rápido. Eu adoro ela, coloco no meu colo apesar de já estar grande”, conta Ana Luísa.

Serviço

O quê: Feira de adoção de animais da ONG Pata

Quando: 28 de maio, das 10h às 17h

Onde: Cassol Center Lar, Campinas, São José

Publicado em 27/05/11-06:00

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