Fábrica de bijuterias em Biguaçu comercializa peças para toda a região Sul do país

Com apenas seis funcionários, a fábrica produz cerca de 13 mil peças de bijuterias por semana.

Carol Ramos
Carol Ramos
Avaiana, jornalista, repórter do jornal Notícias do Dia, doutoranda em Antropologia da Iberoamérica, na Espanha.


Biguaçu

Marcelo Bittencourt
Alete tem um representante que viaja o Sul do Brasil com o mostruário das peças

Na hora de produzir o visual, boa parte das mulheres perde alguns minutos em frente ao espelho, combinando bijuterias e demais acessórios, com as cores das roupas eleitas para passar o dia. Mas o que muitas delas nem imagina é o demorado processo de produção que aquele brinco, pulseira, pingente ou colar passou antes de chegar a sua casa. Atentos às necessidades do mercado e à tendência garantida de venda nas quatro estações do ano, os proprietários da Brilho Acessório, em Biguaçu, produzem há dois anos as mais variadas peças em bijuterias.

A fábrica conta com a mão de obra de seis pessoas e produz em média 12 quilos de material por dia, o que semanalmente pode chegar a 13 mil peças de bijus. O processo completo, do molde à separação e embalagem, dura uma semana, sendo que uma das etapas, o banho em prata ou dourado, é terceirizado, feito em São Paulo. “Trabalhávamos antes só com fivelas de cinto e couro, mas vimos que as bijuterias viraram tendência e resolvemos nos dedicar á produção”, diz a empresária Alete Luzia de Oliveira Souza, 49.

Ela, o marido e dois filhos se dedicam exclusivamente à fábrica de bijuterias, que comercializa peças cruas para todo o estado, além de Paraná e Rio Grande do Sul. “Vendemos no atacado aqui na fábrica e para lojas. Meu filho é representante e vende no estado todo. Estamos adaptando o nosso site para começar a vender pela internet, pois tem bastante procura”, diz. Alete planeja até o final do ano dar um passo ainda maior. “Além de produzir as peças, vamos fazer a parte de pedraria, de bordar e vender a bijuteria pronta para ser usada”, conta.

Produção

Marcelo Bittencourt
Matéria-prima da bijuteria é a mistura da fundição de estanho e zamac

Em todas as seis etapas de produção das bijuterias o que não pode faltar é cuidado e atenção. No entanto, cada fase do processo tem características bem distintas. As peças são feitas a partir da fundição de zamac e estanho, passando por processo de molde, limpeza, acabamento e banho. As bijus são comercializadas entre R$ 0,10 e R$ 6, dependendo do tamanho e quantidade a ser negociada.

Os desenhos das bijuterias variam de acordo com a estação do ano, ou seja, o que está na moda. Neste inverno, os mais usados são caveiras, laços, coração e flores. Para o verão, a tendência serão os animais, como dinossauros, corujas, lagartixas, pássaros e aranhas. “Através de revistas e sites olhamos o que tem de mais novo no mercado. Em algumas vezes, o próprio cliente passa para nós o que está na moda”, explica Alete.

Acompanhe as fases do processo de produção das bijuterias.

Molde: uma borracha redonda é usada para fazer o molde das bijuterias. O desenho é cozido na borracha, que serve como modelo para confeccionar milhares de peças.

Injeção: estanho e zamac são fundidos a 450 graus. O líquido é colocado numa máquina de rotação, preenchendo o molde da borracha. A secagem é imediata.

Marcelo Bittencourt
Vibração é a etapa em que as bijus são lavadas e polidas em uma máquina

Vibração: separadas do molde, as peças são colocadas em uma máquina junto a pedras de porcelana e água. As bijus são limpas e polidas.

Seleção: É a parte do controle de qualidade, feito manualmente por duas funcionárias. As peças são revisadas e aquelas que tiverem alguma imperfeição são descartadas.

Marcelo Bittencourt
Banho prateado ou dourado nas bijus é terceirizado, feito em São Paulo

Banho: Esta fase é terceirizada, enviadas por sedex para São Paulo. O beneficiamento ou banho determina a cor da bijuteria, pode ser prateada ou dourada.

Separação: voltando do banho, as peças são separadas por modelo e acondicionadas em saquinhos de 30 ou 50 unidades, prontas para comercialização.

 

Bijus como fonte de renda

Marcelo Bittencourt
Karoline tem a confecção de bijuterias como segunda fonte de renda há quatro anos

Quando a administradora Karoline Wollinger, 28, arriscou fazer as primeiras peças em bijuterias, para uso próprio, não imaginava que a atividade se transformaria na sua segunda fonte de renda. A proprietária “Bunita Biju” compra peças cruas, direto do fabricante, e as borda com pedrarias e strass há pelo menos quatro anos. A concorrência no mercado faz a artesã prezar duas características, o que ela chama de diferencial. “Bom preço e acabamento. Não pode ter peça fora do lugar e com cola sobrando. Também trabalho com preço diferenciado do comércio”, diz Karoline, que vende os brincos entre R$ 8 e R$ 50.

A secretária executiva diz que hoje, o valor arrecadado com a venda das bijuterias representa 40% da renda mensal. “Semanas em que dedico mais tempo produzo até 100 peças, mas também depende dos detalhes e do tamanho da biju”, diz. Karoline conta com a ajuda de quatro meninas para vender o estoque, que chega a 300 peças. “Tem que ter um capital de giro muito grande, por isso, invisto parte do meu salário em bijuterias”, conta a artesã, que leva a segunda profissão como terapia, no tempo vago entre a carreira e os cuidados com o filho Gabriel, de sete meses.

 

Publicado em 14/07/11-15:40


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