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Fábio Bispo @fabiobispo_nd Florianópolis |
Uma parceria entre os órgãos de segurança pública e poder legislativo do Estado pretende remanejar os Policiais Militares que trabalham dentro da Assembleia Legislativa para fazerem o policiamento no entorno do Centro Cívico Tancredo Neves, antiga praça da Bandeira. O pedido da população para que os policias deixassem os gabinetes e partissem para as ruas é antigo, e já foi motivo de polêmica na cidade. O custo do projeto vai superar os R$ 300 mil e ainda não tem prazo para implantação.
O Programa de Segurança Pública no Entorno da Alesc (Assembleia Legislativa de Santa Catarina) prevê o policiamento ostensivo entre as ruas Silva Jardim, Bulcão Viana, Hercílio Luz e avenida Gustavo Richard. Seriam pelo menos 46 policiais no perímetro, em escalas. O treinamento dos policiais estava marcado para iniciar no dia 30 de agosto deste ano, mas não aconteceu. O programa é assinado pelo coronel Paulo Henrique Hemm, chefe da Casa Militar da Alesc. “O projeto ainda está em estudos, não temos certeza se será implantado ou não, temos que analisar as condições”, comenta o coronel Hemm.
O coronel chefe da Casa Militar concorda com o custo elevado do projeto, R$ 322 mil, mas argumenta que os valores se justificam pelo aumento dos níveis de segurança para a cidade.
Nos dias 3 e 4 de agosto deste ano, o Notícias do Dia publicou a reportagem “Ruas vazias, gabinetes lotados”, sobre a realidade da guarda nos prédios públicos da Capital. Enquanto 410 policiais militares trabalham nas assessorias, 579 são cuidam da segurança dos mais de 420 mil habitantes. Os policiais lotados nas assessorias, além de cumprirem escala de trabalho mais confortável, recebem bonificações que podem ultrapassar R$ 4 mil, enquanto os que trabalham ostensivamente recebem apenas o fixo (soldo).
Comunidade quer polícia nos bairros
No início do ano, o comandante geral da Polícia Militar, coronel Nazareno Marcineiro, usou a tribuna da Câmara de Vereadores para manifestar a vontade de reduzir o número de policiais nas assessorias e realocá-los nas ruas da cidade. Na última terça-feira, entidades, associações e moradores da Grande Florianópolis participaram de uma audiência pública no auditório da Alesc cobrando mais investimentos em segurança.
Carlos Thadeu Pires, presidente da Amecon (Associação dos Conselhos de Segurança), que também foi organizador da audiência de terça-feira na Alesc, diz que a vontade de diminuir o número de policiais militares nas assessorias é uma reivindicação antiga, porém discorda do Programa de Segurança Pública no Entorno da Alesc. “Queremos sim que os policiais militares voltem para as ruas, mas não só para o entorno da assembleia, mas para todas as regiões da cidade”, argumenta Thadeu. Para ele, o problema que a segurança pública da cidade enfrenta é um problema de gestão.
Por telefone, o presidente da Alesc, Gelson Merísio (PSD), não quis se manifestar sobre o projeto que prevê o remanejamento de policiais militares. “Nada está definido, quando tivermos uma posição irei me pronunciar”, limitou-se. Na próxima terça-feira, ele deve se reunir como o comando da PM e o governo do Estado para detalhar os próximos passos do projeto.
Só entre janeiro e maio, na região onde estuda-se implantar o programa, foram registradas 372 ocorrências policiais.
Enquanto o número de policiais nas assessorias é quase o dobro do contingente do 4º Batalhão da PM, responsável pelo policiamento na maior parte da cidade (central, sul e leste), postos policiais e bairros em todas as regiões continuam sofrendo com o déficit de pessoal.