Florianópolis ganha casas populares com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento

Os primeiros beneficiados são moradores do Morro do Céu que tiveram suas casas inderditadas com risco de desabamento

Emanuelle Gomes
Emanuelle Gomes
Jornalista (formada pela UEPG), repórter de Cidade do ND, apaixonada pela profissão


Florianópolis

Alexandro Albornoz/ND
Patrícia vai ter vista pra Beira-mar Norte em sua nova casa

Com um largo sorriso no rosto, Patrícia Costa Mafra, 32 anos, observa a vista para a Beira-mar Norte da janela de sua nova casa, no Morro do Céu. “Vai dar para ver os fogos de artifício no Réveillon”, comentou. Quem vê, hoje, a felicidade da servente e manicure não imagina o desespero que ela passou há cerca de nove meses. Patrícia e os três filhos moravam em uma casa que foi interditada pela Defesa Civil da Capital com risco de desabamento.

“A casa estava em estado precário desde 1999, mas foi com as enchentes deste ano que a situação ficou complicada mersmo e tivemos que sair. A parede rachou e entrava água como se fosse uma cachoeira. Minha casa era uma das piores da comunidade”, lembrou. Patrícia foi retirada da casa e passou a receber o aluguel social da prefeitura de Florianópolis. A mesma coisa aconteceu com a irmã dela, que morava na mesma estrutura, também com três filhos.

“Fiquei sabendo que iam construir casas populares aqui e fui atrás. Eu já tinha o terreno, então a antiga casa foi derrubada para dar lugar à nova”, explicou ela. A casa de Patrícia é uma das 19 unidades que estão sendo construídas no Morro do Céu com recursos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). Segundo a Secretaria Municipal de Habitação, responsável pela licitação do serviço, essas são as primeiras casas feitas na Capital por meio do programa.

As obras começaram em abril e algumas unidades já estão em fase de conclusão. Nove casas devem ser entregues aos novos donos em dezembro deste ano. Com a previsão,  Patrícia disse que a moradia é um presente de final de ano. “É uma vitória. Vou começar 2012 de casa nova”, vibrou. Segundo a servente, não havia dinheiro ou condições de construir uma nova casa se ela não fosse incluída no programa. “Vou pagar R$ 40 por mês, durante 29 meses. Meus filhos já estão ansiosos para vir para cá e eu também não vejo a hora. Aqui é o meu canto. Cresci aqui, sou nativa”, disse, com orgulho.

Licitação para construir novas unidades

O engenheiro Américo Pescador, da Secretaria de Habitação do município, garantiu que a finalização das casas no Morro do Céu é só o começo. A empresa responsável pela obra, a Mawicon Construtora, deve construir mais 31 unidades no Monte Serrat. “O prazo é de 15 meses para a entrega, contando do início, em agosto”. Além disso, até o fim do ano, a Secretaria deve abrir nova licitação para a construção de 388 unidades no Maciço do Morro da Cruz, em dois modelos.

“Dividiremos em dois lotes. Em um deles, serão construídos os modelos antigos; e em outro, o de casas da Cohab/SC (Companhia de Habitação do Estado de Santa Catarina) desenvolvida pela Irmãos Fischer S.A. Indústria e Comércio”, comentou Pescador. De acordo com o engenheiro, o novo modelo deve atrair mais empresas interessadas na obra, já que o preço da casa é menor, o material é mais leve, de fácil transporte e de rápida execução. “É preciso apenas quatro dias para montar”, explicou.

Construtoras não têm interesse

As obras do PAC no Maciço do Morro da Cruz sofreram diversos entraves no decorrer da sua execução, desde março de 2010. A prefeitura de Florianópolis teve que abrir quatro processos licitatórios para a construção das 438 casas populares, porque não havia empresas interessadas na realização da obra. A Secretaria de Habitação dividiu, então, as casas em nove lotes. Em nova licitação, apenas a Mawicon Construtora se candidatou para a execução do serviço em dois lotes.

“Não é o preço, mas são os problemas de transporte dos materiais, mão de obra e dificuldade social desses lugares que fazem as empresas não terem interesse. Ainda temos problemas com roubo de material, e algumas pessoas ocupam indevidamente as construções”, salientou o engenheiro Américo Pescador.

Desocupação seria maior problema

O empreiteiro direto da Mawicon, Marcelo Arlindo Raimundo, contou que esses problemas se acentuam devido aos atrasos nas desocupações dos terrenos para construção. De acordo com ele, a prefeitura garantiu a entrega dos terrenos para construção de 19 casas e não fez isso. “Eles vão desocupando aos poucos. A gente contrata a equipe para fazer as casas, eles sobem o morro, desgastam o caminhão, e tem apenas uma para construir. Depois, eles não voltam mais. Nós nunca mais vamos nos inscrever para a construção de casas populares”, afirmou.

Pescador esclareceu que as negociações para a desocupação dos terrenos devem ser feitas individualmente. “No Morro do Céu, tivemos um problema específico. Tínhamos um terreno, mas precisaríamos unir duas comunidades. Os moradores não quiseram. O projeto não pôde ser executado”, disse.

O que é o PAC

O Programa de Aceleração do Crescimento foi lançado em janeiro de 2007. É uma iniciativa do governo federal que engloba um conjunto de políticas que tem como objetivo acelerar o crescimento econômico do Brasil, gerar emprego e melhorar as condições de vida da população. Prevê investimento em infra-estrutura, em áreas como saneamento, habitação, transporte, energia e recursos hídricos, entre outros.

Como são as casas da Cohab/SC

A Casa Modular de Aço, desenvolvida pela Irmãos Fischer S.A. Indústria e Comércio, é feita com painéis de aço, formatados como “sanduíche”. Dessa forma, entre duas camadas de aço está uma camada de poliuretano, responsável por isolamento térmico e acústico da casa.

Casas em construção pelo PAC

Morro do Céu

Investimento: R$ 2.960.355,98

Unidades: 19

Monte Serrat

Investimento: R$ 1.823.707,37

Unidades: 31

Publicado em 23/11/11-06:00