Quarto envolvido no triplo homicídio em Palhoça (SC) se apresenta à polícia

Além de novas perícias, reconstituição deve ocorrer até quarta-feira em Palhoça

Fábio Bispo
Fábio Bispo


Florianópolis

Marcelo Bittencourt/ND
Crime teria sido motivado depois que Gelson instalou uma câmera em frente de casa (foto) para monitorar quem entra e quem sai. Antes dele ser morto a câmera já havia sido destruída pelos traficantes

 

O quarto envolvido no assassinato do construtor Gelson Aparecido de Souza, 32 anos, e dos dois filhos dele, Gean, 9, e Vitor, 5, se apresentou ao delegado Attílio Guaspari Filho na manhã desta segunda-feira (16). O adolescente de 17 anos teria confessado, em depoimento,  participação no crime. O adolescente era ajudante de Gelson nas obras do galpão e, de acordo com o delegado, ele ficou na condição de “olheiro” para os matadores. A reconstituição do crime deve ser feita até amanhã.

O adolescente informou ao delegado que conheceu Everaldo Rosa Nunes, vulgo “Lalau”, 31 anos, suspeito de ser o mandante do homicídio, e Rogério Vas da Silva, 21 anos, outro suspeito do homicídio, dias antes do crime. Neste dia, o traficante lhe fez a proposta para que ele ficasse fora do galpão observando se chegava alguém. Segundo relato do adolescente, ele não sabia que iriam matar o mestre de obras. Se aparecesse alguém, ele teria que dar alarme. Pelo serviço, o jovem iria ganhar R$ 50. Mas nem chegou a receber o valor combinado. Os traficantes ainda ameaçaram o garoto caso ele contasse para alguém o que teria ocorrido dentro do galpão.

Quando ocorreu o crime, no dia 9 deste mês, era o segundo dia de trabalho do adolescente, que mora com o pai no bairro Bela Vista, em São José. Um dia depois, ele viajou para o Paraná com o pai porque a avó adoeceu. O jovem retornou para Santa Catarina nesse fim de semana.

Attílio não revelou detalhes do interrogatório, mas afirmou que as declarações do adolescente foram de extrema relevância para a apuração do triplo assassinato. Após o interrogatório, o garoto foi liberado. O delegado disse que falta deter um quinto suspeito, também menor de idade.

Roupas com sangue serão periciadas

Pelas contas da polícia, seis pessoas participaram do crime. Quatro estão detidos e um adolescente continua foragido. Já foi encaminhado para o IGP (Instituto Geral de Perícias), novamente, o carro da vítima e os pés de cabra, utilizados como armas do crime, para uma avaliação mais minuciosa. Roupas encontradas com sangue na casa de Vas também serão periciadas e um confronto de DNA poderá confirmar se o sangue é das vítimas.

Por enquanto, estão detidos, com prisão temporária, o traficante Everaldo Nunes, o Lalau, 34 anos (mandante do crime), Rogério Vas da Silva, 20; e Jeferson Nunes, 21 anos. Lalau e Vas foram transferidos da delegacia de Palhoça, após os interrogatórios, para o Cadeião do Estreito, na Capital. Nunes continua na carceragem da DP de Palhoça. Apenas Vas admitiu o crime e denunciou os comparsas.

Na semana passada, a polícia deteve um adolescente, mas ele foi liberado, pois contra ele foi expedido um mandado de prisão temporária, como o dos outros três, e não mandado de busca e apreensão de menor. O delegado disse que isso não quer dizer que, futuramente, ele não possa ser apreendido por mandado de busca e apreensão.

Publicado em 16/01/12-22:47