Adolescente queimada pelo namorado sai do hospital e precisa de ajuda

Pâmela, 16, recebeu alta após 70 dias de recuperação na unidade de queimados. Seu ex-namorado continua livre

Aline Torres
Aline Torres


Florianópolis

Debora Klempous/ND
O pior medo de Pâmela é enfrentar sua própria imagem no espelho

Os medos de Pâmela são dois: olhar-se no espelho e encontrar com o ex-namorado Thiago da Silva Flores, 27. Aos 16 anos, Pâmela teve a beleza roubada por Thiago, que ateou fogo em seu corpo e depois foi para casa da mãe, em Canoas (RS). Enquanto a menina contrariava os prognósticos médicos, sobrevivendo, Thiago postava no Facebook as amarguras de “amar e não ser correspondido” e as peripécias como “matador de bandido”, na atribulada função de policial militar – embora a corporação assegure que Thiago nunca tenha trabalhado para PM.

O relacionamento com Thiago pretendia curar as magoas do primeiro namorado fracassado.  Mas, na curta história de seis meses, Pâmela foi agredida três vezes: com spray de pimenta durante um show; estrangulada dentro do Hospital Regional, onde foi internada após tentativa de suicídio ingerindo uma cartela de remédios; e no dia em que sua vida foi condenada. Três boletins de ocorrência foram registrados – sem resultados.

Às 11h do dia 30 agosto, Pâmela foi até a Rua Eurico Gaspar Dutra, no Estreito, onde Thiago havia alugado um kitnet, para o casal, sabendo que a namorada desejava a separação. Lá Pâmela demonstrou convicção pelo término do namoro. Thiago pegou um galão de álcool que estava embaixo da cama e um isqueiro azul, ensopou os cabelos de Pâmela com álcool. Pôs fogo.

“Tentei apagar as chamas com as mãos, por isso, elas perderam os movimentos. Então, ele segurou minha mão esquerda, sussurrou: ‘Agora vai embora, vagabunda’, enquanto jogava mais álcool e fogo sobre meu corpo. Gritei por socorro. Nessa hora, aspirei as chamas, que queimaram meus órgãos internos. Saí correndo para rua, queimando viva, os vizinhos tentavam me apagar, lembro que trouxeram um colchão. Desmaiei nele”. Essa é sua última lembrança até recobrar a consciência dia 17 de outubro.

No colchão, Pâmela foi levada pelo Samu (Serviço de Atendimento Médico de Urgência), para o Hospital Universitário, Florianópolis. Ficou 70 dias interna na unidade de queimados, com 40% do corpo em carne viva. Superou infecções severas, descarnações e a avaliação clínica: 60% de chance de óbito, 40% de recuperação.

Dia 9, recebeu alta pela iminência de infecção hospitalar e pela impossibilidade de um atendimento eficiente da assistência social do HU, que não considerou que a menina vive numa casa de madeira improvisada, com 12 passos de extensão, ladeada pelo esgosto, no meio de um matagal, num bairro pobre de Biguaçu. A mãe, o padrasto e os quatro irmãos sobrevivem com orçamento mensal de mil reais. Não sobra dinheiro nem para comprar os esparadrapos. 

A ONU, o casamento da delegada e a casa da mamãe

Dia 25 foi escolhido pela ONU (Organização das Nações Unidas), o Dia Internacional de Luta contra a Violência sobre a Mulher, com referência no assassinato, das irmãs Mirabal - Pátria, Minerva e Maria Teresa, a mando do ditador Leônidas Trujillo, da República Dominicana. Mas a data em Santa Catarina põe à luz uma realidade trágica.

Desde janeiro de 2011, 64 mulheres foram mortas pelos parceiros no Estado, segundo a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito, do Congresso Nacional.  São aproximadamente 20 mil averiguações instauradas pela Polícia Civil envolvendo violência doméstica – com resolução em apenas 20% dos casos. Cerca de 6.000 precisaram de atendimento médico, como Pâmela, que encara a liberdade de Thiago como uma injustiça.

O temor de Pâmela, no entanto, nada contribui para a agilidade do caso. O inquérito que investiga a tentativa de homicídio estava na 3° DP (Delegacia de Polícia), de Florianópolis, que cobre a região do Estreito. Mas, de acordo com as informações da delegacia, o inquérito tinha sido transferido para Biguaçu, onde mora a família da adolescente. Na delegacia de Biguaçu informaram que o caso estava com a DP de Palhoça, que informou que estava com São José, que justificou que deveria estar em Biguaçu, onde os investigadores relembraram que o caso tinha sido encaminhado para a 6° DP, de Florianópolis. Na sede da Polícia Civil, situada no bairro Agronômica, quem conduz o caso é a delegada Ana Silvia Serrano, que casou. Até seu retorno da lua de mel, no dia 12 de dezembro, as investigações ficarão Thiago nem foi ouvido.

Na conversa por telefone, a mãe de Thiago confidenciou que o filho estava morto. Fato desmentido pelo Batalhão da Polícia Militar de Canoas . De acordo com um soldado da PM que se anunciou identificou com amigo de Thiago, ele reside com a progenitora mãe, que também o sustenta.

COMO AJUDAR PÂMELA

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Contato: Silvia Hoffmann (mãe de Pâmela) - (48) 9125-7074 e 3296-7528

Publicado em 24/11/12-17:40

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