Nos bastidores da indústria de games

Por trás da criação de games, destacam-se profissionais que trabalham muito para que a diversão nunca termine.

Pedro Santos
Pedro Santos


Florianópolis

Débora Klempous
Indústria dos games
Todo o universo do game "Taikodom" surgiu na mente de Dido (E) e Rodrigo Octávio (D)


Estamos no século 23, o Planeta Terra não existe mais e a humanidade vive dentro de naves viajando de estrela em estrela pelo Sistema Solar. O que resta do universo está dividido em grandes corporações comerciais e industriais onde pilotos, patrulheiros e piratas lutam cada um por seus interesses.

Esse é o enredo do game brasileiro “Taikodom: living universe”, o maior jogo massivo produzido para multi jogadores na América Latina que em breve será lançado na Europa e nos Estados Unidos. Mas por trás de todo o universo de planetas longínquos, vida extraterrestre e guerras intergaláticas está uma equipe que trabalha duro para elaborar criações que demoram mais do que a maioria das pessoas consegue imaginar. Nos bastidores da indústria de games, diversão é trabalho. Muito trabalho.

Nos últimos anos, empresas catarinenses de tecnologia se destacaram no cenário nacional com negócios na indústria dos jogos virtuais. O Estado financia empresas que desenvolvem desde simuladores de segurança até jogos educativos, aplicativos para celular, games para tablet e universos fantásticos para internet.

Tudo começa com uma ideia e um roteiro. No caso do “Taikodom”, todo o universo ficcional surgiu da mente de Rodrigo Octávio e Dido Krüger. Juntos eles elaboraram o que chamam de a Bíblia do jogo: pilhas e pilhas de textos que contam exatamente como a história se desenvolve, desde o tipo de combustível que alimenta as naves até as relações econômicas e políticas entre os grupos alienígenas que povoam a galáxia.

“Nós dividimos esse documento em outros arquivos menores, mais diretos para pesquisa rápida”, conta Rodrigo Octávio, que mantém oculta parte da trama para não estragar a surpresa dos próximos capítulos do jogo.

Na sala onde Rodrigo e Dido trabalham, chamada de Sala do Universo Ficcional, uma série de fotografias ficam grudadas na parede. São matérias-primas para a equipe de design: figuras de carros atuais e obras arquitetônicas futuristas. “O futuro é agora”, exclama Dido, revelando que a dupla busca referência no passado para contar a história do futuro.

“Às vezes temos uma guerra em que os lados envolvidos disputam algum recurso natural. Daí nós pesquisamos muito as guerras que já ocorreram com essa temática para poder alcançar maior grau de realismo”, diz.

Mas para que as palavras sejam transformadas em vídeo game, ainda há um longo caminho a percorrer.

Passo a passo

As etapas de criação de um jogo variam conforme o objetivo do game. No caso de um jogo em 3D, o processo é mais complexo. Se o jogo é multiplayer, exige mais cuidados do que se fosse jogado por apenas um jogador. A história linear ou não-linear também define a quantidade de pessoas envolvidas em toda a produção.

Geralmente, a partir das referências criadas pelos roteiristas, a equipe de desenho em duas dimensões começa a trabalhar. O objetivo deles é criar um quadro que seja uma inspiração para a equipe 3D, que vai atuar na modelagem em três dimensões, desde acessórios de uma nave até a construções de planetas inteiros.

Na Hoplon Infotainment, a empresa que produz o “Taikodom”, Aly Lenzi, 24 anos, é um dos game designers responsáveis por fazer o balanceamento do jogo para a ação não seja nem muito difícil nem muito fácil. Aly, que cresceu sonhando em trabalhar com games desde que se encantou com o Master System, aprendeu que o segredo está manter o jogador sempre atraído.

Em outra sala, um rapaz de cabelos dreadlocks trabalha em duas telas para criar o que ele chama de efeitos de transição. “É para que o jogador saiba o que acontecendo”, explica Rafael Morais, antes de se concentrar novamente no trabalho. Para montar uma breve sequencia de transição é preciso criar a textura, modelagem e perspectiva, um trabalho que pode durar dias.

Para a finalização de um jogo, há uma equipe de áudio que produz todos os efeitos sonoros e as músicas que irão acompanhar o jogador pelas diversas fases.

Com o intuito de juntar todos esses elementos, a equipe de programação trabalha para colocar o jogo no ar e fazer tudo funcionar adequadamente.

No caso de um jogo online, é preciso uma equipe que cuide do servidor que vai abrigar o jogo. Sem contar na equipe de suporte ao usuário e outra que cuide das redes sociais e dos fórums pela internet. À parte da equipe de criação, está o marketing, responsável por distribuir o jogo para diferentes mercados e garantir a rentabilidade da empresa.

E chega a pausa para uma coca-cola. Em muitas produtoras de jogos, a bebida é o combustível estimulante do grupo de trabalhadores, formado por jovens de 25 a 30 anos.

Nem só de trabalho vive os produtores de games. Mais do que ninguém, eles costumam ter um espaço repor as energias em uma salinha de descanso. E adivinhe o que eles fazem nessa hora? Jogam videogame.

Números

Atualmente no Brasil há:

 - 40 empresas desenvolvedoras ativas
- Cerca de 40% da nossa produção destinada a exportação
- 50% de nossas empresas desenvolve algum tipo de jogo web (sociais, advergames etc)
- 4 em cada 10 brasileiros têm o hábito de jogar jogos eletrônicos.
- Brasileiros de 12 a 15 anos são os que mais jogam jogos eletrônicos no país.
- Celular é onde o brasileiro mais joga eletronicamente e com maior freqüência.
- Mercado de games se mantém comercialmente em função apenas de 15% dos jogadores eletrônicos do país por causa do alto índice de pirataria.

Plataformas
 Celular                                  29%
Computador                           27%
Videogame (tradicional)           23%
Videogame portátil                   6%

Fonte: Abragames (Associação Brasileira das Desenvolvedoras de Jogos Eletrônicos)


Publicado em 19/09/11-09:21