Secretária de Economia Criativa Cláudia Leitão defende a cultura como plano de governo de Estado

Plano Brasil Criativo foi entregue à Casa Civil na última segunda (28). Cláudia Leitão afirma que o projeto foi recebido com entusiasto

img Carol Macário
@carolmacario_nd
Florianópolis

Débora Klempous / ND
Cláudia Leitão apresentou conceitos sobre economia Criativa no 2º Fórum de Gestores Municipais de Cultura

Nada menos que uma revolução é o que propõe o Plano Brasil Criativo, entregue na última segunda-feira (28) à Casa Civil pela secretaria de Economia Criativa, pasta criada ligada ao MinC (Ministério da Cultura) e liderada pela doutora em sociologia Cláudia Leitão. Ela esteve terça (29) em Florianópolis, onde participou do 2º Fórum dos Gestores Municipais de Cultura, promovido pela Fecam (Federação Catarinense de Municípios) e Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis. No evento, a secretária explicou para os cerca de 270 participantes os conceitos do Plano e as propostas da nova secretaria para os próximos anos – entre elas, que a cultura seja tratada como uma política de Estado.

O projeto do Plano Brasil Criativo levou nove meses para ser finalizado e foi recebido com entusiasmo pela presidente Dilma Rousseff. O Plano propõe a transversalização da cultura por meio do diálogo com pelo menos 13 ministérios diferentes, assentando a cultura como um eixo de desenvolvimento econômico sustentável. “A gente tem na mão um plano de governo, de Estado, não só para a secretaria”, ressalta Cláudia. Mas segundo ela, para isso acontecer, será necessário que gestores aprendem a ver o mundo sob outro ponto de vista. “Isso é a economia do intangível, é uma revolução. É ousado, mas por que não?”, questiona, argumentando que um dos entraves para essa mudança é o grande vínculo do Brasil com a economia tradicional. “Até muito pouco tempo relacionar a cultura com palavras como economia e mercado era tabu”, lembra.

Dentre os projetos mais tangíveis da secretária está o de elevar a representação dos setores da economia criativa no PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro de 2,5% para 3,5% até 2015. “Nos Estados Unidos esse setor representa 11% do PIB”, afirma. Para isso, um caminho natural seria o investimento na cadeia produtiva nacional. “Não faz sentido, por exemplo, ensinar música nas escolas sendo que todos os instrumentos são comprados na China”, diz.

O caminho é a tecnologia

Como boa professora, a secretária de Economia Criativa Cláudia Leitão dispensou a cadeira na bancada formal do Fórum de Gestores Municipais de Cultura e, com microfone à mão e movimentos eloquentes, explicou em pormenores os conceitos os quais a secretaria de Economia Criativa vem trabalhando e de que forma os municípios podem se engajar.

Para Rosani Lucia Franzon, diretora do departamento de cultura da secretaria de educação do município de Nova Erechim, extremo oeste do Estado, o problema é que as cidades pequenas ficam isoladas e sem informação sobre novas formas de gestão. “Geralmente a cultura é a última a ser lembrada, acionada somente quando há alguma festa municipal para organizar”, conta. Nessa linha, uma das saídas, apontada por Cláudia Leitão, é justamente a tecnologia usada em favor da acessibilidade e das conexões. “Arte aliada à ciência e tecnologia é o caminho”.

Setores criativos que fazem parte da Economia Criativa, segundo divisão da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) 

A – Patrimônio natural e cultural – material e imaterial
B – Artes e Espetáculos
C – Artes Visuais
D – Livros, Literatura e outras publicações
E – Audiovisuais e novas mídias
F – Design e Serviços Criativos

Publicado em 30/05/12-10:04 por: Carol Macário.