O Corpo de Bombeiros Voluntários de Joinville é um verdadeiro celeiro de heróis, composto por homens e mulheres capacitados e devotados à nobre missão de servir ao próximo. Através desta reportagem no Perfil com o bombeiro voluntário Jackson Seidel, reverenciamos cada bombeiro que, no anonimato do dia a dia, presta um valioso serviço a Joinville e a cada cidadão durante vinte e quatro horas por dia faça chuva, faça sol, frio, ou calor. Não há tempo ruim para esses homens e mulheres. Prontidão e devoção é o lema!
Jackson Seidel, 37 anos, é um desses caras. “Eu sempre gostei de dirigir. Durante anos trabalhei na Ultragaz, operando uma carreta tanque de GLP, entre os Estados do Paraná, Santa Catarina e o Rio Grande do Sul”. Em 2008, depois de perder a conta da quilometragem rodada, ele foi convidado por um amigo, bombeiro voluntário, a conhecer a sede dos bombeiros e a participar de uma reunião. “Não sei explicar, foi uma sensação muito boa. Lá, sempre existe a necessidade de contratação e formação de novos bombeiros, sejam efetivos (remunerados) ou voluntários, fiz o teste para motorista de caminhão e fui aprovado”.
Depois do curso de formação, Jackson foi admitido como motorista de caminhão, com habilitação para operar outras viaturas de maior e menor porte. “Para que tudo funcione bem, há um rigor quanto às funções desempenhadas por cada um. No meu caso, e de outros colegas também motoristas, deslocamos a viatura até o local da ocorrência e posicionamos o veículo. No entanto, não participamos da ação. Por exemplo: em caso de incêndio, os colegas bombeiros combatem o fogo; se for acidente de trânsito com vítimas, são os socorristas que atuam; um corpo em um rio ou boiando no mar, é o bombeiro mergulhador que executa o resgate, e assim por diante. Cada um na sua especialização.”
Em 2010 a corporação recebeu do governo do Estado um caminhão plataforma, que, segundo Jackson, é o único do gênero a operar no Sul do país. Importado da Finlândia, o caminhão Scania modelo P-380, plataforma, tem capacidade de acesso equivalente a 18 andares, ou 54 metros de altura. A operação e aplicação da P-380 devido a sua versatilidade trouxe para Joinville, diretamente da Finlândia, um dos engenheiros projetistas para treinar os dez primeiros operadores, entre eles Seidel. Esse primeiro grupo já formou mais seis bombeiros e mais dez estão em curso, em busca da habilitação para operarem a plataforma. “Aqui, o aprendizado e a atualização é um processo contínuo. A cada nova técnica que surge, atualizamos o nosso pessoal”.
Jackson é casado com Nelida Seidel, e tem um filho de 14 anos, Eduardo, estudante e músico (toca violão). “A partir do momento que senti que a coisa era séria mesmo, passei a incentivar o garoto e apoiar. Afinal, poderia estar fazendo bobagens por aí. A música é uma coisa boa e saudável. Fico orgulhoso,” conta sobre o filho.
“Para que tudo funcione bem, há um rigor quanto às funções desempenhadas por cada um.”
No batismo, uma fatalidade
A “confirmação ou batismo” de Jackson quanto à profissão de bombeiro ocorreu no ano passado, em uma ocorrência de atropelamento com vítima no Jardim Iririú. “Era um menino de 13 anos, com a mesma idade do meu filho. Situação muito complicada, com politraumatismo. Fizemos o possível e levamos o garoto vivo para o Hospital Infantil. Devido às complicações, soubemos que ele morreu. Pensei no meu filho e nas outras crianças como ele. Escolhi a profissão certa: ser bombeiro profissional e servir, é isso!” Jackson é o coordenador da equipe Delta, composta por 40 homens, que trabalham em turno de 12 horas - no total, são quatro equipes com o mesmo número de profissionais, em revezamento: a Alfa, Bravo, Charlie e a Delta. Cada uma delas possui a mesma qualificação e atuam em qualquer tipo de ocorrência.
O Corpo de Bombeiros Voluntários de Joinville está equipado com 35 tipos de viaturas. No quartel da rua Jaguaruna também existe o Museu do Bombeiro, aberto ao público todos os dias. Lá também funciona o curso de formação para bombeiros mirins, para jovens de ambos os sexos a partir dos 12 anos de idade, bem como uma série de serviços que são prestados à comunidade.
Em breve, será inaugurado o novo Centro de Treinamento e Instrução, na zona Norte da cidade, à disposição da comunidade e empresas, interessados na formação e capacitação de brigadas de incêndio. O clima no quartel é sempre de respeito, camaradagem, disposição e vontade de servir, sob o “grito da unidade” com palavras de estímulo e encorajamento: “Em nome de Deus, em defesa do próximo, um por todos; e todos por um.” (Valter F. Bustos, especial para o Notícias do Dia)