Busscar divulga lista de credores

São R$ 622 milhões em dívidas, sendo R$ 112 milhões a 5.355 ex-funcionários e atuais trabalhadores do grupo

Cláudio Fernandes
Cláudio Fernandes
Editor do ND desde maio de 2013, é graduado Jornalismo pelo Bom Jesus - Ielusc desde 2009


Joinville

Rogério Souza Jr./ND
Busscar tem na sua lista 6.500 credores, entre empresas e trabalhadores

 

Guardados a sete chaves, os segredos do Grupo Busscar começam a ser revelados na sexta-feira (11/11), com a divulgação preliminar das dívidas e dos credores. O valor total ficou um pouco acima do divulgado até então, e chega a quase R$ 623 milhões. O passivo trabalhista é a menor parte (18%), pouco mais de R$ 112 milhões. O total de credores divulgado é muito maior que o anunciado. Em vez dos três mil, são cerca de 6.500 trabalhadores, empresas e bancos que possuem algum valor a receber do Grupo Busscar. O maior número de credores é composto por funcionários e ex-funcionários do grupo, que somam 5.355 trabalhadores.

Esta relação ainda é a primeira de três versões que devem ser divulgadas. A partir dessa primeira, os credores têm 15 dias para contestar ou reclamar mais créditos. Passado esse prazo, o administrador judicial Rainoldo Uessler, nomeado pela Justiça para acompanhar a recuperação judicial, decretada no dia 31 de outubro pelo Juiz Maurício Cavalazzi Povoas, deve elaborar uma nova relação com novos créditos que forem comprovados pelos credores.

Depois da divulgação, quem ainda tem alguma dívida para receber do Grupo Busscar terá outros 15 dias para reclamar o direito, que será avaliado pelo juiz para elaboração da terceira e definitiva relação de credores. Esta não poderá mais ser contestada. "A Justiça não protege quem dorme", afirma Uessler.

A maior parte da dívida da Busscar é com os bancos. São pelo menos 14 instituições que têm a receber mais de R$ 335 milhões, mais da metade de toda a dívida. Só o Santander, tem mais de R$ 120 milhões a receber da Busscar.

No quadro de credores há três tipos de dívidas. As trabalhistas são a prioridade de pagamento. Depois vêm as de garantia real, em que os credores possuem bens como garantia do pagamento e estão em segundo lugar na fila de pagamento. Por último, aparecem as dívidas gerais, chamadas de quirografárias, as últimas em prioridade de quitação.

Uma das dívidas mais urgentes que o grupo pretende negociar é com a Celesc - são R$ 1,2 milhão em contas atrasadas. A negociação é necessária para que a energia não seja cortada no parque fabril e a Busscar continue fabricando ônibus para se reerguer.

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Publicado em 11/11/11-00:30