Trabalhadores dizem "não" ao plano da Busscar

Quase 2.000 funcionários e ex-funcionários da empresa votaram em reunião no Sindicato dos Mecânicos

Cláudio Fernandes
Cláudio Fernandes
Editor do ND desde maio de 2013, é graduado Jornalismo pelo Bom Jesus - Ielusc desde 2009


Joinville

Rogério Souza Jr./ND
Trabalhadores não aceitam desconto nas dívidas


Com dois anos de salários atrasados, quase 2.000 funcionários e ex-funcionários do Grupo Busscar compareceram à grande reunião promovida no domingo (15/4) pela manhã pelo Sindicato dos Mecânicos, na sede recreativa da entidade. O encontro tinha o objetivo de definir qual o posicionamento dos trabalhadores na assembleia de credores que decidirá se o plano de recuperação judicial da companhia deve ou não ser executado. Com 100% de mãos levantadas, o “não” foi o voto escolhido para ser apresentado em maio.

 

Dessa forma, se nenhuma nova proposta da Busscar for apresentada para o pagamento dos créditos trabalhistas até o dia 22 de maio, data pré-agendada para a primeira convocação da assembleia de credores, os trabalhadores se encaminham para uma recusa do plano.

Se não comparecerem mais de 50% dos credores, a assembleia deve ocorrer na segunda convocação, pré-agendada para o dia 29 de maio, com participação de qualquer número de credores.

Para os trabalhadores que não poderão ou preferem não comparecer à assembleia, existe a possibilidade de deixar procuração para o Sindicato dos Mecânicos, que vão receber os documentos até o dia 10 de maio e votar de acordo com a indicação do trabalhador. A mesma procuração também pode ser feita a qualquer pessoa, parente ou mesmo colega de trabalho.

O posicionamento adotado pelos trabalhadores nesta última reunião ainda não é definitivo, de acordo com o presidente do sindicato, Evangelista dos Santos. “Isso não impede novos diálogos, novas propostas, acordos. Continuaremos abertos a negociações e se houver alguma coisa diferente, colocaremos novamente em votação”, adianta.

Com a antecipação do posicionamento de parte dos trabalhadores da Busscar, confirmam-se as insatisfações nas três categorias de credores que deverão votar na assembleia. Na classe de credores quirografários, a última em preferência de pagamento, os ex-sócios e maiores credores deste grupo, com capacidade para decidirem sozinhos a posição da categoria, já adiantaram que se não houver proposta diferente da apresentada, o voto também será contrário.

Na classe de credores com garantia real, a segunda em preferência de pagamento, depois dos trabalhistas, o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), que detém 34% de poder de decisão no grupo, também já questionou o plano de recuperação.

Se o plano for recusado, a falência da Busscar deve ser determinada pelo juiz responsável pelo caso, Maurício Cavallazzi Povoas, da 5ª Vara Civel, e os bens do grupo leiloados para pagamentos dos credores, de acordo com a preferência das dívidas.

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Publicado em 16/04/12-00:30