Redes de supermercados investem em novos projetos em Joinville

Apesar do avanço dos grandes, pequenos não temem e investem em atendimento diferenciado para manter os clientes

Aline Machado Parodi
Aline Machado Parodi


Joinville

Luciano Moraes/ND
Natalino acha concorrência saudável, além de estimular pequenos a também investiram

 

A terraplanagem no terreno da nova loja do Giassi, entre as ruas Inácio Bastos e Padre Kolb, no Bucaren, deve iniciar até o final do mês. A licença para construção foi liberada esta semana. As obras do Comprefort, no Costa e Silva, estão a todo vapor, o Bistek está aguardando a licença de construção para iniciar a obra no terreno da avenida Getúlio Vargas e o Grupo Walmart abriu ano passado cinco unidade da bandeira Todo Dia.

Esses investimentos das grandes redes mostram que o setor supermercadista em Joinville está em crescimento. De acordo com o secretário de Integração e Desenvolvimento Econômico Jalmei Duarte, além dos investimentos previstos, as redes já estão de olho em áreas para futuras expansões. “Esse mercado está aquecido”, comentou.

E a zona Sul deve atrair a maioria dos investimentos. “O centro de gravidade da cidade tem se mudado para a zona Sul. É um filão e as grandes redes perceberam a carência nesta região”, afirmou.

Apesar de não falar oficialmente no valor total de investimento, a estimativa é que a nova loja do Giassi consuma em torno de R$ 25 milhões. O terreno tem 18 mil metros quadrados e a loja terá uma área de vendas de 6 mil metros quadrados. Deve gerar entre 400 e 500 novos postos de trabalho. O presidente da rede, Zefiro Giassi, afirma que o projeto teve uma preocupação com o estacionamento, que terá dois níveis: subterrâneo e térreo.

A intenção do Giassi era inaugurar este ano em Joinville a loja de número 13 do grupo, mas a demora na liberação das licenças ambientais atrasou o projeto e a loja em Tubarão foi inaugurada antes. “Agora a nossa previsão é que a loja de Joinville seja a 14. Não temos uma data para inauguração, mas acreditamos que ela esteja pronta em 10 meses após o inicio da obra”, afirmou o presidente.

A escolha pela zona Sul teve dois motivos principais: a região e o acesso. “Como temos uma loja na zona Norte era natural optar pela segunda na zona Sul. E também por ter melhores condições de acesso. O terreno está entre duas ruas o que vai atender bem os clientes”, comentou Giassi.

Ele acredita que a cidade tem potencial para o setor supermercadista se desenvolver nos próximos anos. “A cidade está crescendo e há uma demanda grande por alimentos. O futuro é promissor”, disse.

 

Rede Condor desembarca em Santa Catarina

A zona Sul também foi escolhida para receber o primeiro hipermercado da rede paranaense Condor. O projeto prevê a construção de um hipermercado com 20 mil metros quadrados e geração de 700 empregos diretos.  

O hiper será construído na rua Florianópolis, na área onde funcionada a faculdade Anhanguera. O investimento previsto é na ordem de R$ 50 milhões. O grupo Condor é o décimo maior grupo supermercadista do País e o primeiro do Paraná, segundo o ranking da Associação Brasileira dos Supermercados.

O Bistek não divulga o valor de investimento que fará em Joinville, mas já entrou com pedido de liberação de alvará de construção. A rede comprou um terreno na avenida Getúlio Vargas, próximo ao Hospital São José. De acordo com o diretor comercial do Bistek Walter Ghislandi, “o projeto está pronto só esperando a liberação para a construção”.  A rede tem 15 lojas no Estado, uma em Joinville, no bairro Aventureiro.

De acordo com o secretário de Integração e Desenvolvimento Econômico Jalmei Duarte, o investimento do Compreforte, no bairro Costa e Silva, será em torno de R$ 50 milhões.

Ano passado, o Grupo Walmart (que tem as bandeiras TodoDia, BIG, Nacional e Maxxi Atacado) investiu R$ 68 milhões em cinco novas lojas da bandeira TodoDia. As lojas geraram mais de 200 empregos diretos. Segundo informou o Grupo Walmart, o investimento na cidade levou em consideração o potencial econômico do joinvilense. O grupo tem oito unidades em Joinville: BIG (2), Maxxi Atacado (1) e TodoDia (5).

 

Espaço para todos

Mas não são apenas as grandes redes que estão investindo na cidade. Os pequenos e médios também estão ampliando ou modernizado seus estabelecimentos. A empresária Maria Salete dos Reis, proprietária do Supermercado Arco-íris, está com o projeto de ampliação da loja do bairro Boa Vista pronto, apenas aguardando liberações da prefeitura.

Ela conta que está planejando uma loja mais moderna, com amplo estacionamento e que com a possibilidade de agregar outros serviços. A expansão das grandes redes não preocupa Maria Salete, que também tem uma unidade no bairro Guanabara.

Na opinião da empresária há espaço no mercado para todos, mas que os supermercados locais se destacam pelo atendimento e qualidade dos produtos. “Nós vamos buscar nossas verduras, por exemplo, direto no produtor. Os produtos da padaria são produzidos aqui, quase artesanalmente. A carne é de qualidade e o cliente pode escolher como quer. Esse atendimento diferenciado o cliente não encontra nas grandes redes”, afirmou.

O presidente do núcleo de supermercadistas da Acij (Associação Empresarial de Joinville) Natalino José da Silva, acredita a proximidade geográfica com as grandes redes até podem representar incremento nas vendas. “Um exemplo disso é o Hipermais, que abriu no Boehmerwald, e com isso aumento o fluxo de vendas dos outros estabelecimentos, que fizeram promoções para concorrer. A concorrência é saudável”, comentou.

Ele enfatiza que os pequenos geram mais empregos e tributos para o Município do que as grandes redes. Temos que investir e assim cada um vai ter o seu cliente. A economia está em crescimento e o cliente quer mais conforto”, disse.

O secretário de Integração e Desenvolvimento Econômico Jalmei Duarte, acredita que a concorrência entre os mercados locais e as redes, mesmo que num primeiro momento afeto o faturamento dos menores, instiga o empresário a buscar um diferencial.

“Ele precisa investir no negócio dele. Temos de uma forma geral voltar para o obvio, que é atender bem o cliente. E isso os mercados de bairro fazem muito bem”, afirmou Duarte.

Publicado em 15/06/13-14:23