Oferta de gás natural está no limite em Santa Catarina

Demanda verifica em julho no Estado quase atingiu o teto oferecido pela SCGás

Aline Machado Parodi
Aline Machado Parodi


Joinville

O abastecimento de gás natural às indústrias catarinenses está no seu limite. Atualmente o teto contratual da SCGás (Companhia de Gás de Santa O abastecimento de gás natural às indústrias catarinenses está no seu limite. Atualmente o teto contratual da SCGás (Companhia de Gás de Santa Catarina) é de 2 milhões de metros cúbicos diários. Mas a demanda em julho foi de 1.922.034 metros cúbicos/dia. A companhia chegou a registrar um pico de venda histórico que ultrapassou o teto (ver quadro abaixo).

Neiva Daltrozo/divulgação/Secom/ND
LOs quatro governadores dos estados do Codesul ser reuniram nesta segunda-feira em Florianópolis para debater o abastecimento de gás

 
A necessidade de investimentos no setor foi o tema da reunião do Condesul (Conselho de Desenvolvimento e Integração do Sul), que reúne Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul e Paraná, realizada nesta segunda-feira, em Florianópolis. Os governadores do Codesul assinaram um oficio que será enviado à Petrobras alertando sobre a situação e apresentando alternativas.
“O gás é uma energia estratégica, fundamental para o nosso desenvolvimento e há uma procura muito grande na nossa região. Por isso, precisamos oferecer esse produto na quantidade necessária para as empresas”, destacou o governador Raimundo Colombo. Um estudo realizado pela UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) apontou que em 2019 a demanda por gás natural na região Sul será de mais de 30 milhões de metroscúbicos/dia. Hoje a capacidade atual de transporte é de 12 milhões. Os Estados são atendidos exclusivamente pelo Gasbol (Gasoduto Bolívia-Brasil).
De acordo com o presidente da SCGás Cósme Polêse, a Petrobras, responsável pela importação do gás natural, precisa garantir um suprimento adicional para a região. “Estamos no limite do nosso contrato, que vai até 2019. Não podemos ficar indefinidos nessa situação. A Petrobras precisa assegurar um suprimento adicional, para que possamos ampliar os nossos contratos com as empresas”, comentou.
Ele cobra também a equidade na questão tarifária, pois o gás importado da Bolívia está cerca de 20% acima do preço do gás nacional e essa equação impacta as indústrias no Sul.
O estudo também levantou alternativas para o gargalo do abastecimento. Entre elas, redimensionar o tamanho do gasoduto e a implantação de um terminal de regaseificação de GNL (gás natural liquefeito) em um dos portos do Sul do país. “A primeira, emergencial e urgente, é repontencializar o gasoduto Bolívia-Brasil para ampliar a capacidade dele”, apontou o presidente.

96 empresas atendidas na região Norte

Na região Norte são atendidas 96 empresas, principalmente do setor metal-mecânico. A BMW, segundo o presidente da Câmara de Assuntos de Energia da Fiesc (Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina), Otmar Müller, conseguiu uma das últimas cotas de fornecimento de gás do Estado. A situação da indústria metal-mecânica não é tão preocupante quanto a da cerâmica, que tem uma dependência maior do gás natural. “A metal-mecânica utiliza o óleo combustível como alternativa, mas o gás é mais limpo e operacionalmente mais prático”, afirmou o presidente da Câmara. “Em 2011 percebemos o crescimento da demanda e a falta de investimentos para suprir essa demanda. Estamos alertando governo federal e Petrobras sobre essa ameaça e dois anos depois percebe-se que nada se fez”, disse Müller.
A SCGás tem uma lista de 60 empresas esperando pelo aumento da oferta do combustível para serem atendidas. O presidente da Fiesc, Glauco José Côrte, afirma que a indústria freou investimentos por falta do insumo. “Se não cuidarmos disso rapidamente, sem dúvida, teremos impacto negativo não só no investimento, como na geração de emprego e renda na região”, afirmou. Ele defende uma política governamental clara para o setor, que contemple a liberação da entrada de novos players e o próprio fortalecimento da Agesc (Agência Reguladora de Santa Catarina).

NÚMEROS 

Demanda catarinense

Média diária (*) – 1.922.034 m3

Pico de venda (**) – 2.045.924 m3

Em 2019 - 2.869 mil m3/dia

(*) – julho/2013

(**) – em 26 de julho de 2013

Região Norte

Indústrias atendidas -  96

30% do gás consumido no Estado

Região Sul

Média diária em 2012 – 5.763 mil m3

Em 2019 – 30.969 mil m3/dia

Capacidade atual de transporte: 12 milhões m3

Fonte: SC Gás

Publicado em 19/08/13-23:45