Valdir Dutra: 45 anos de teatro voltado para o público infantil

De auxiliar de anatomia à produtor cultural, Dutra já montou espetáculos vistos por mais de um milhão de pessoas.

João Batista da Silva
João Batista da Silva


Joinville

Divulgação
Fôlego. Valdir Dutra já produziu 50 espetáculos

 

São 45 anos de teatro em 72 de vida. Mais de 50 espetáculos montados e assistidos por mais de um milhão de pessoas, em cerca de 25 cidades catarinenses.  Os números traduzem uma história feita de estórias, de muitos personagens e muitas performances na trajetória do produtor cultural Valdir Dutra, manezinho de Florianópolis. 

O teatro chegou meio por acaso na vida do produtor. Aos 16 anos, ele era auxiliar técnico de anatomia na faculdade de medicina da Ufsc. “Eu preparava os cadáveres para os experimentos médicos”, relembra. Depois ele trabalhou como porteiro, bilheteiro, lanterninha e gerente em salas de cinema, tarefas que o deixaram em contato com o meio artístico e o fizeram aportar no teatro mais tarde. 

A ligação com os palcos começou com um grupo amador no final da década de 60. Mas foi quase dez anos depois, em 1977, que Dutra resolveu montar sua própria equipe, o GTI (Grupo de Teatro Independente), assinatura até hoje dos espetáculos que produz. A primeira apresentação foi no TAC (Teatro Álvaro de Carvalho), em Florianópolis, com a peça “Oncilda e Zé Buscapé” e o primeiro grande sucesso veio com a montagem de “Os Três Porquinhos”. 

Nascido com mais de 20 integrantes, hoje o GTI tem apenas a metade da formação, sendo que a maioria é da família. O filho Adriano Dutra, 40, que começou aos 7 ajudando o pai, é quem faz as adaptações dos textos e as músicas dos espetáculos. “Mantemos a base do grupo estritamente familiar e contratamos os artistas conforme a peça exige. É difícil manter uma equipe grande só de contratados”, comenta o filho. 

Os contos de fadas são o carro-chefe da companhia. Os maiores sucessos são “Chapeuzinho Vermelho”, “Os Três Porquinhos”, “João e Maria”, “Branca de Neve” e “O Gato de Botas”. “Não havia ninguém que montava essas peças na época, então vi a oportunidade de levar os clássicos infantis para as crianças. Foi difícil no começo, quando era preciso rezar com vela acesa para colocar 50 pessoas num teatro”, relata Dutra. 

JOÃOZINHO E MARIA EM JOINVILLE 

A peça que está atualmente circulando o Estado é “Joãozinho e Maria na Casa da Bruxa”. Com texto da professora Maura Soares, o espetáculo que envolve 13 integrantes conta a aventura de dois irmãos que, ao desobedecerem aos pais, se perdem na floresta. Eles são atraídos para uma casa feita de doces onde mora a Bruxa Malvada, cuja intenção é colocá-los num caldeirão. 

Indicados para crianças e adultos, a peça será apresentada neste sábado e domingo, em três sessões, no Harmonia Lyra, com apoio da RIC Record e do jornal Notícias do Dia. Depois de Joinville, o grupo segue para Laguna, Tubarão, Criciúma, Itajaí, Brusque, Blumenau, Pomerode e São José.

Publicado em 17/03/11-23:25

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