Casep de Concórdia tem mais dois quartos interditados

Com as interdições, unidade terá apenas cinco quartos para internação, metade da capacidade

O Centro de Atendimento Socioeducativo Provisório (Casep) de Concórdia terá mais dois quartos interditados, segundo informações do Departamento de Administração Socioeducativo (Dease) e da ONG Betânia, que administra o local. Com estas interdições, o espaço que abriga adolescentes infratores, entre 12 e 17 anos, deve ficar com metade da capacidade de atendimento – dos dez quartos apenas cinco poderão ser utilizados. O diretor da ONG, Ismael Batista, explica que um pedreiro deve ir ao Casep de Concórdia ainda nesta segunda-feira para verificar a porta destes dois quartos.

“Na última tentativa de fuga em 10 de junho, os adolescentes chutaram estas portas que ficaram sem condições de uso e por isso precisaremos interditar”, conta. Ele acrescenta que a interdição dos outros três quartos deveu-se à situação precária das janelas, que de tão enferrujadas eram utilizadas pelos menores como armas. “Eles tiravam pedaços da janela para agredir os educadores durante as rebeliões”, revela Batista. O diretor da ONG complementa que, segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente, os quartos não podem ser compartilhados por mais de um jovem.

Segundo o diretor do Dease, Sady Beck, o Governo do Estado já está ciente da situação e na última sexta-feira (6) esteve uma equipe no local avaliando as portas. “Já estamos acompanhando o problema e tomando as providências cabíveis para que estes quartos sejam reabertos. Em vistoria ao local verificamos um buraco na parede e problemas nas portas, que facilitariam eventuais fugas”, atesta Beck.

ONG Betânia deixa direção da unidade em 3 de agosto

Há dois anos na administração do Centro de Atendimento Socioeducativo Provisório de Concórdia, a ONG Betânia deixa a função no próximo dia 3 de agosto. A falta de infraestrutura da unidade e o valor repassado pelo Governo do Estado, considerado insuficiente, são apontados como os principais gargalos que levaram a organização a deixar o convênio. “Em 1º de junho recebemos um aditivo de 2,5% totalizando um repasse mensal de R$ 21.482 pelos próximos seis meses. Mas ainda é pouco para resolvermos as deficiências encontradas, além de cumprirmos com a nossa atividade fim que é de ressocializar estes jovens por meio de ações socioeducativas”, destaca o diretor da ONG.

Em decorrência de trâmites burocráticos, o valor referente ao mês de junho ainda não foi repassado e segundo Ismael Batista os salários estão atrasados. “Há muito tempo pleiteamos com o governo a revisão da planilha dos custos administrativos no Casep de Concórdia, mas não fomos atendidos. Só a nossa folha de pagamento consome cerca de 10% da verba total repassada por mês, sem falar nas contas de água, luz, telefone, manutenção”, afirma. Ele conta que com as remunerações oferecidas encontra dificuldade em manter os funcionários por mais de 90 dias no cargo. Hoje são dez colaboradores e cada um recebe em média um salário de R$ 850. “O ideal seria R$ 1,3 mil”, defende. Batista informa que a equipe já está cumprindo aviso prévio e não estará mais trabalhando no próximo dia 27.

O diretor do Departamento de Administração Socioeducativo (Dease), Sady Beck, diz que o governo está negociando com a ONG Betânia para que fique no comando até 1º de dezembro, quando assumiria a nova administração. “Até esta quarta-feira devemos liberar o repasse da verba de junho, regularizando a situação por parte do Estado”, afirma.

Edital de licitação para contratação de nova administradora

Ainda neste mês deve ser aberto edital de licitação para chamada pública da nova empresa que irá administrar o Casep de Concórdia, segundo informações do Dease. E o repasse mensal do governo deve ser ampliado para R$ 39 mil. “Este valor considero o ideal para desempenharmos bem o nosso trabalho e vamos participar do processo licitatório. Este valor reajustado viria em janeiro do próximo ano”, diz o diretor da ONG Betânia, Ismael Batista. Ele reitera que a organização é parceira do governo, mas neste caso do Centro de Atendimento Socioeducativo Provisório de Concórdia não tinha mais como administrar com os valores repassados.

A ONG, que tem sede em São José do Cedro, presta serviços para o estado há oito anos e é responsável ainda pelo Casep de São José do Cedro, Xanxerê e pela Casa de Semi-liberdade, em Concórdia. “No Casep de Concórdia não temos assistentes sociais e psicólogas trabalhando em tempo hábil para atender os jovens e suas famílias. Já nas demais administrações que efetuamos o trabalho é bem diferente e não registramos fugas há dois anos”, evidencia.


Publicado em 09/07-16:41 por:
Ana Carolina Vilela.